Estrada que leva ao distrito de Guariba e marca o limite da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O Instituto de Geociências da Universidade Federal de Minas Gerais (IGC UFMG) está começando os procedimentos técnicos para a demarcação física da Terra Indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no município de Colniza, no noroeste do estado de Mato Grosso. Com a liberação de recursos no valor de R$ 2,1 milhões e aprovação do Plano de Trabalho pela Fundação Nacional Dos Povos Indígenas (Funai), pesquisadores coordenados pela professora Sónia Maria Carvalho Ribeiro, do Departamento de Cartografia e do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR), estarão em campo para atividades de georreferenciamento, implantação de marcos físicos e instalação de placas de indicação dos limites, entre outros, da terra indígena ocupada pelo povo isolado Kawahiva.
Abrangendo uma área total de 411.844 hectares e aproximadamente 323km de perímetro, a região foi declarada de posse permanente da etnia Kawahiva na portaria Nº481 de 19 de abril de 2016. No fim de 2025, a Funai assinou um termo de execução descentralizada com a UFMG para realização das atividades técnicas especializadas relacionadas à demarcação física. O objetivo central é fornecer suporte técnico-científico para subsidiar a demarcação física, conforme previsto pela legislação brasileira.
A demanda pela demarcação do território dos Kawahiva soma quase 30 anos, desde a confirmação da existência da etnia pela Funai. Sem a conclusão do processo demarcatório, a área e o povo que nela habita vive exposta a riscos relacionados ao desmatamento, grilagem de terras, garimpo e expansão do agronegócio. De acordo com o Instituto ClimaInfo, o histórico de invasões ao território já teria resultado na morte de, pelo menos, um indígena.
Para a professora Sónia Maria Carvalho Ribeiro, a cooperação técnica da UFMG é uma forma de garantir suporte especializado em topografia e cartografia para demarcação física de territórios indígenas em respeito à territorialidade e identidade cultural destes povos. “É uma grande responsabilidade, mas também um orgulho poder contribuir diretamente para proteção dos direitos do povo Kawahiva”, ressalta a engenheira florestal.
A “Demarcação física da Terra indígena Kawahiva do Rio Pardo, localizada no noroeste do estado de MT” é um projeto de extensão gerenciado pela Fundação Christiano Ottoni no valor de R$5.494.180,122 e envolve o trabalho de aproximadamente 60 pesquisadores. A duração total do projeto é de um ano e oito meses.

Terra indígena no estado do Pará também foi georreferenciada pelo IGC UFMG
A UFMG dispõe de reconhecida expertise em geotecnologias, análise territorial, cartografia temática, sensoriamento remoto e produção de documentos técnicos para regularização fundiária e territorial, garantindo rigor científico, independência técnica e conformidade com os normativos federais. Em 2025, o Departamento de Cartografia foi responsável pela demarcação física da terra indígena Kaxuyana-Tunayana, com aproximadamente 144 Km de perímetro, localizada no norte do Pará, divisa com o Amazonas. Sob a gestão administrativa e financeira da Fundação Christiano Ottoni, o trabalho de campo referente a essa atividade, incluindo serviços topográficos e cartográficos, envolveu um montante aproximado de R$7 milhões.