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Pesquisadoras defendem reconhecimento na ciência
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Pesquisadoras defendem reconhecimento na ciência

“Não queremos ser maioria, queremos equidade”: pesquisadoras defendem reconhecimento e oportunidades na ciência

Um bate-papo inspirador sobre histórias, desafios e conquistas de mulheres que lideram projetos de pesquisa científica da UFMG. Assim foi a live organizada pela Fundação Christiano Ottoni (FCO), no dia 11 de fevereiro, para marcar o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.

Mediado pela engenheira de produção e head de Inovação do Parque Tecnológico de Belo Horizonte, Ana Luiza Canhestro, o diálogo — transmitido pelo canal da FCO no YouTube — contou com a participação de professoras dos departamentos de Cartografia, Ciências Exatas e Química da UFMG. Elas coordenam alguns dos maiores projetos, em termos de valor e impacto socioambiental, sob a gestão de Gabriela Pacheco, do setor de Projetos da Fundação Christiano Ottoni.

Entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres na ciência, a professora do Departamento de Química do Instituto de Ciências Exatas (ICEx/UFMG), Glaura Goulart, destacou o desequilíbrio entre a presença feminina na base da pirâmide da pesquisa e a ocupação de posições de liderança. “Tem também o preconceito na citação dos nossos trabalhos, na análise dos nossos artigos”, afirmou. Coordenadora da Unidade EMBRAPII CTNano-UFMG, ela ressaltou ainda o desnível no reconhecimento das bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e a exigência de conciliar a trajetória profissional com o cuidado de filhos, pais e outros familiares.

Ao concordar com esse posicionamento, a professora Camila Amorim, do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Escola de Engenharia (EE/UFMG), enfatizou que a meta não é ser maioria, “mas alcançar equidade, por exemplo, com mais bolsas de produtividade distribuídas entre as mulheres”. Para ela, é desejável “considerar o tempo que a mulher dedica às licenças-maternidade ao analisar a produtividade de uma cientista”. Segundo a pesquisadora, é necessário incorporar esse olhar, com mais empatia, sobre o papel da mulher na ciência e na sociedade.

De uma vila no interior de um parque nacional no norte de Portugal à demarcação de territórios de povos originários no Brasil. Até se tornar engenheira florestal, a professora Sónia Carvalho, do Departamento de Cartografia do Instituto de Geociências (IGC/UFMG), construiu sua trajetória movida pelo desejo de “resolver” o problema das florestas e da relação entre ecossistemas naturais e sociedade. “Eu sempre tive essa vocação de olhar o território e ver como é possível conciliar desenvolvimento e conservação da natureza”, relatou. “Fiz disso a minha bandeira. As mulheres têm essa capacidade de conciliar e cuidar, de negociar”, acrescentou.

Com mais de uma década de atuação na Fundação Christiano Ottoni, nos bastidores da gestão de pesquisas realizadas em parceria com instituições dos setores público e privado, a coordenadora do setor de Projetos, Gabriela Pacheco, destacou a importância do apoio de homens em posições de liderança para que as mulheres avancem em suas carreiras. “Felizmente, a Fundação Christiano Ottoni tem 70% do seu quadro composto por mulheres, e 90% das lideranças de setor são femininas. Além disso, temos um diretor-presidente que valoriza muito as mulheres”, afirmou. Segundo ela, o professor Benjamin de Menezes, atual superintendente, foi quem identificou seu potencial para assumir a coordenação do que hoje é o maior setor da FCO.

Ao se dirigir às jovens mulheres e às novas lideranças femininas, a professora Glaura Goulart sugeriu atenção a comportamentos masculinos que não demonstrem respeito ou reconhecimento por contribuições reais. “Eu não quero florezinhas, eu não quero gestos superficiais. Eu quero reconhecimento do meu trabalho, eu quero acesso a recursos, eu quero poder liderar com base nas minhas competências e nas do meu grupo, eu quero acessos reais. Quer me dar um presente? Eu aceito. Mas também aceite o meu projeto e o avalie corretamente!”, enfatizou.

A professora Camila Amorim também abordou a importância da resiliência e da superação de estereótipos. “A sociedade sempre vai cobrar mais da gente, inclusive as próprias mulheres. A gente tem de ser bonita, tem que ser magra, tem que ser elegante, tem que falar bem, tem que falar baixo, não pode rir alto, tem que ser inteligente, tem que cuidar da família. Tudo isso em um pacote só”, enumerou. “Então, precisamos pensar: qual referência vou deixar para meus filhos? Qual modelo vou deixar de inspiração também para os pesquisadores que trabalham comigo?” Para ela, é possível, sim, fazer ciência sendo mulher.

A live realizada no Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência integra as ações da FCO voltadas à valorização da diversidade e ao fortalecimento da presença feminina nos ambientes de pesquisa, inovação e desenvolvimento tecnológico. Ao reunir trajetórias de diferentes áreas do conhecimento, o encontro se consolidou como espaço para compartilhar bastidores de experiências em projetos de impacto social e tecnológico, evidenciando o olhar diferenciado das mulheres na construção de soluções para desafios contemporâneos.

🔴 Assista a live na íntegra no canal no YouTube da Fundação Christiano Ottoni: https://www.youtube.com/live/oHsfuFtPBtk?si=Afy5Sf90Uk0KdWP2

Belo Horizonte – 02/03/2026

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